Poesias

Raízes da Alma

A sensibilidade aflorou
Alma do meu ser
Força de um viver perdido e sem destino
O que livre é o arbítrio, és também forte

Magnânimo e ao mesmo insolente
Por que és belo o viver
Vezes é imaturo na essência
E sofre por conhecer

As faces macabras dos corações
Que egoístas estão dispostos
Ao devaneio sem freio
As garras sem mérito

É quando a alma se perde
Em meio as carências
A falta de energia
E o eterno medo

No esvaecer do desespero
Na razão de viver
Transforma-se em loucura
E vira obsessão e luta

Mas é a vida
Que vez é florida e insípida
Vezes é cinzenta e amarga
Vezes é apenas dia

Que nunca se repetem
Com suas raízes puras
E nos cabe apenas
Resgatá-las enquanto ainda é tempo.

Fernanda Dutra

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Barreira de Gelo

Eu vi seu olhar suave, sereno e forte
Fui até seu encontro mas não entendia
Porque te via mas não te sentia

Pensei nas mais belas coisas,
No formato da sua mão,
No intenso pensamento e elevada busca

Corri até você, mas havia uma grande parede,
Transparente e fria:
Era a grande barreira de gelo!

Causava arrepios, mas permitia vê-lo
Não era possível o toque,
Mas o semblante das almas não precisa de toques

Entrei no seu olhar e compreendi os erros,
A necessidade de esperar
A espera virtuosa, dos verdadeiros heróis

Aqueles que transformam a ansiedade, o medo e a dor
Em desejo e luta
Aqueles que acreditam na beleza do dia amanhecer
Nas pessoas e no amor

Que conseguem em pensamentos
Transformar amor em esperança
Rancor, ódio e vingança em humildade
Conquistam olhares e acumulam corações

São vistos como anjos
Por não transmitir dor e atrair o calor
Que derrete a grande barreira de gelo
De nossos corações!

Fernanda Dutra

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Corpos

Os corpos uniram
Os olhos brilharam
As mentes se pervertiam
Entre a aventura e o resgate

Um resgate unilateral
Um vazio incapaz de cobrir
Fatos sem relevância
Carências espirituais

Pôr que o corpo é carente
Mas a alma é transcendente
A fúria dos corpos se acalma
Mas o espírito parece afligir

O momento é bom
Mas logo passa
E o que fica é apenas
Um alívio imaginário

Como em estado de intuição
Sentimos o que o outro esta pensando
Como esta sentindo
Que ondas de energia estão fluindo

Até que mais um dia se segue
As cores se repetem
Os quadros inspirados na solidão
São pintados em meio a multidão que nos rodeia!

Novo dia aparece
E na nossa mente apenas o sol
Das tardes sonhadoras
Dos ventos que fascinam
Dos mais belos dizeres do iluminismo!

Fernanda Dutra

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O Devaneio

As vezes nos deparamos com a guerra
O devaneio da humanidade
Mas a guerra esta aqui
No dia em que o sol parece não iluminar seus caminhos

No amor que não vem
Que rebate as fúrias da forma e do pensamento
Aquele mesmo amor que fazia luzir as mais difíceis circunstâncias
O mesmo amor que rebate as esperanças

Mas há a fé
Que nos consola e nos conforta
A eterna luta em sempre ter algo para lutar
Pois é essa luta que nos mantém vivos

Contemporizar alivia as faltas humanas
Mediante a guerra
Ainda sabendo que a sensibilidade sempre é derrotada
E a força aparente é sempre irreal

Quando os paradigmas são criados
Nada pode ser feito além de esperar
Cada dia e cada noite o tempo
O tempo para obter as respostas

E as respostas sempre serão as que esperamos
Mas o tempo dessas respostas quase sempre extrapola a paciência
E quando chegam
Já passou o momento

E o momento?
Agora? Sempre?
Ou se deixa passar
Para depois lembrar de algo

Algo que na verdade
Nunca existiu
Que foi intenso
Apenas no pensamento.

Fernanda Dutra.

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Sonhos e Energia

Eu segui em busca de um sonho
O sol brilhava forte
Eu me perdi do seu encontro
Fiquei enlouquecida com a distância

Mas não desisti
Sabia que devia seguir
Aquela sorte do princípio
Pareceu loucura quando perto

Foi quando olhei as estrelas
Elas diziam que eu devia seguir o meu rumo
Ainda que nele eu deixasse
Emoções tão fortes

Quando cheguei ao meu destino
Foi como uma flor que desabrocha
Meu sorriso era tão claro e límpido
Que não aguentava a minha volúpia

Eram mares, terras, verdes
Lucidez e embriagues
Vitória e principio
E o principio da vitória

Ainda assim me perdi
Pois abandonei o que jamais deveria
Entusiasmo em sonhar
Em definir novas metas

Mas eis a percepçãoo
A filantropia embutida
A loucura pertinente
E a busca incessante

De um abrigo no campo energético!

Fernanda Dutra.

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Luz da Vida

A luz vem em direção da vida
Que intrínseca nos protege
Das armadilhas da traição
E incoerências do destino

Revividas pelo dom de voar
Esse dom que é único
Daqueles  que sonham
Que tem suas almas em elevação

Faz com que fontes sejam sugadas
Pela ânsia de conquistar
Algo que se mostra utópico
Mas é apenas improvável

E quando a vida se mostra
Exatamente quando a vemos
Sentimos e nos conduzimos
Em direção ao mais belo

Em um momento supremo
Instante que nos fazem fortes
Outrora mágicos ou inoportunos
De qualquer forma, puro

Pois só é o puro o pensamento
Que sobrepõe conceitos
Que extrapola limites
Sem afetar o belo
E o belo digno de viver
De sentir, de tocar
De se emocionar
Com que, de fato, é belo!

Fernanda Dutra

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Saudade

Do tempo que se foi
Do tempo que não vem
Da riqueza das flores
Nos dias apaixonados de primavera

Da vontade de crescer
Da ilusão dos sonhos
Do meu jeito maroto
Da falta do que fazer

Da luz da farra
Dos morros que só traziam o vento
Das faltas cometidas
Dos risos escondidos

Do olhar triste e alegre ao mesmo tempo
Da fúria adolescente
Da busca eterna
De um lugar para ficar

Da inconsciência do futuro
Da falta de pretensão
Do lago com pedalinho
Do colo materno

Do estar e ficar
Sem ficar ao menos
Sem estar para ficar
Mas sentir que está em algum lugar
E que algo ficou para sempre

Fernanda Dutra

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