Fernanda Dutra

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A dualidade sempre esteve presente na minha vida. Com apenas 9 anos de idade e apaixonada pelas Artes Plásticas, comecei muito cedo a pintar com apoio da minha artista predileta, minha mãe. Ela me ensinava os traços e eu mergulhava em leituras bibliográficas de pintores e História da Arte. Não tardou, ingressei na Escola Panamericana de Arte.

O que causava estranhamento em todos ao meu redor é que eu também cursava a faculdade de Administração de Empresas e em um mundo separatista, era no mínimo estranho que frequentasse aulas de economia com livros de arte ou aulas de pintura com livros de estatística.
Para muitos, isso era um sinal de não saber ao certo o que se quer, o que seria o normal esperado de uma adolescente nos paradigmas da nossa sociedade. Esta “normose”* ou a patologia da normalidade, nos leva a crer que existe um caminho linear e padronizado. Mas a minha intuição dizia que tudo isto iria se convergir um dia.

No período da faculdade, outro aparente paradoxo: logo me apaixonei pelas matérias de Marketing e Recursos Humanos. No Marketing, tinha um potencial criativo que me atraia bastante. Na primeira especialização em “Marketing”, trabalhei a questão de fidelização de clientes integrando o Marketing com Recursos Humanos. Assim, de forma inspiradora, me fez entender que cuidar da Gestão de Pessoas era o melhor caminho:  entrei na carreira de Recursos Humanos e me encontrei totalmente.

Cursando a segunda especialização em “Gestão Estratégica de Pessoas”, elaborei uma monografia onde o equilíbrio emocional era o caminho para o desenvolvimento humano. Para isso, a arte era extremamente essencial para estimular o lado direito do cérebro e com isso buscar este equilíbrio.

Hoje, fazendo minha terceira pós-graduação em “Transdisciplinaridade em Educação, Saúde, Liderança e Cultura de Paz” (UNIPAZ), que engloba ciência, filosofia, arte e sabedorias milenares, posso dizer que de forma não-linear, realmente a convergência aconteceu. Meu desafio agora é defender através das minhas pesquisas que a arte pode ser usada como ferramenta de reconexão espiritual.

Neste ínterim, abri minha empresa de consultoria e não parei mais de buscar conhecimento onde pudesse de fato aplicar o que acredito, que é o uso da Arte como ferramenta de abertura para o caminho intuitivo e criativo nas organizações, a forma de espiritualizar um meio capitalista.

A arte é para mim a mais pura conexão com a minha essência espiritual, é exatamente nas minhas criações artísticas que tenho o contato mais íntimo comigo mesma. Funciona como uma meditação ativa, um canal de intuição.

   Meu trabalho mescla técnicas e estilos e seu resultado acaba sendo a Cor e a Poesia em uma dança cósmica!


* conceito extraído do livro “Normose, a patologia da normalidade”, de Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e Roberto Crema.